Casal palestino de Gaza diz que está retido há 6 dias no aeroporto internacional de SP após pedir refúgio

História de Retenção

Um casal de origem palestina, Hani M. M. Alghoul e a esposa Eitemad M.A. Alqassass Suhayla, estão vivendo uma situação angustiante no Brasil. Desde o dia 16 de abril, eles estão retidos na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, enquanto tentam obter refúgio em um ambiente que deveria lhes oferecer segurança.


Hani e Eitemad, acompanhados de seu filho de um ano e meio, saíram da Faixa de Gaza em busca de um novo recomeço. Após uma jornada difícil, que incluiu a travessia para o Egito, o casal obteve vistos de turismo para entrar no Brasil. No entanto, a autoridade brasileira não os deixou desembarcar, alegando a necessidade de um pedido de refúgio, situação que gerou um bloqueio em sua entrada no país.

Perfil Familiar: Hani e Eitemad

Hani M. M. Alghoul trabalhou como administrador e havia viajado para Gaza para visitar a família antes que o conflito se intensificasse. Devido à escalada das hostilidades, ele e sua esposa decidiram deixar a região, buscando um local seguro para criar seu filho. A situação se torna ainda mais complexa com Eitemad grávida, enfrentando sérios problemas de saúde, como anemia grave, que exigiu transfusões de sangue nos últimos dias.

O Impacto da Retenção na Saúde

O estado de saúde de Eitemad e de seu pequeno filho é alarmante. O estresse psicológico da guerra, combinado com as dificuldades enfrentadas durante a retenção no aeroporto, impactou negativamente sua saúde física e mental. Segundo relatos, Eitemad teve que receber assistência médica rapidamente devido à sua condição. Por outro lado, o filho enfrenta problemas intestinais, complicados pela mudança de alimentação e pela falta de recursos adequados durante a sua permanência no hotel dentro do aeroporto.

Movimento Judicial: A Luta pelo Refúgio

Representados pelo advogado Willian Fernandes, Hani e Eitemad entraram com uma ação judicial pedindo a sua liberação e a aceitação do pedido de refúgio. Essa medida busca garantir que a família não seja repatriada para Gaza, onde a situação de conflito é extremante crítica. O advogado argumenta que a manutenção da situação de retenção é incompatível com os direitos humanos, afirmando que o Brasil deve cumprir seus compromissos internacionais de acolhimento a refugiados.

As Condições Desumanas no Aeroporto

A realidade no hotel onde a família está hospedada é preocupante. Mesmo em um espaço que deveria ser temporário, eles enfrentam restrições severas, como a proibição de receber alimentos e a impossibilidade de Hani ficar junto de sua família durante a noite, a menos que possa pagar um valor exorbitante por diária. Essa dinâmica gera um clima de desespero e impotência, elevando ainda mais o estresse e a preocupação com a saúde de todos.

Compromissos do Brasil com Refugiados

O Brasil é signatário de várias convenções internacionais que garantem proteção a indivíduos proveniente de zonas de conflito. Esses compromissos são, em teoria, garantias de que pessoas em situações semelhantes a de Hani e Eitemad devem ser acolhidas com dignidade e respeito. No entanto, a realidade enfrentada pelo casal levanta questões sobre como essas diretrizes são colocadas em prática pelas autoridades brasileiras.

A Resposta das Autoridades

Ainda não houve uma resposta clara das autoridades sobre a impossibilidade da entrada do casal. O Itamaraty informou que a decisão de impedir a entrada é da responsabilidade da Polícia Federal, um ponto que deixa a família e seus advogados em uma posição de espera angustiante. As autoridades ainda não apresentaram justificativas adequadas para a retenção, o que só aumenta a ansiedade e a incerteza.

Organizações Envolvidas e seu Papel

Diversas organizações não governamentais, incluindo a ONG Refúgio Brasil, têm se manifestado em apoio à família, denunciando as condições desumanas enfrentadas por eles no aeroporto. Essas entidades têm sido fundamentais na mobilização de apoio legal e psicológico, ressaltando a importância do acolhimento humano, especialmente em situações que envolvem crianças e gestantes.

O Clamor por Direitos Humanos

A situação de Hani e Eitemad é um chamado à ação para os defensores dos direitos humanos e organizações que trabalham com questões de migração. É fundamental que essas vozes sejam ouvidas e que reivindiquem a proteção dos direitos de todos os refugiados, independentemente de sua origem ou situação. A história do casal não é isolada e exemplifica as dificuldades enfrentadas por muitos que buscam abrigo em um novo lar.

Próximos Passos para o Casal

O caminho a seguir para Hani, Eitemad e seu filho é incerto. Enquanto aguardam a decisão judicial, continuam a enfrentar desafios diários que afetam sua saúde e bem-estar. A luta pelo refúgio se intensifica a cada dia, exigindo uma atuação constante das autoridades para que não sejam remetidos a uma situação de risco novamente. O mundo observa atentamente e espera que decisões justas e humanitárias sejam tomadas em favor da família.

A situação expõe um dos muitos desafios enfrentados por refugiados em todo o mundo, lembrando a todos do imperativo moral de oferecer abrigo e proteção a quem está em necessidade.